África
No
que compete ao historial estético africano, poucos são os recursos que nos permitem
determinar algo com convicção e credibilidade. Muitas foram as pesquisas e
buscas de remotos índices que nos levam a estudar a estética no continente
africano. Desta forma, conjugando religião e sobrevivência, concluímos que os
africanos se mantiveram ligados desde sempre à natureza no seu estado
primitivo. Apesar da variedade de povos e padrões de beleza, as técnicas eram
muito similares. Sendo assim, o contributo africano para a estética é sobretudo
o uso da terra no seu estado primário, das plantas e máscaras.
Como
é do senso comum de todos nós, a vida tribal obrigou ao contacto com a dor: dor
de andar com os pés descalços, de sentir fome, de ter a pele em constante
choque contra os arbustos e outras superfícies rugosas. As mães africanas
descobriram que massajando os seus filhos com veemência, não só diminuíram a
sua susceptibilidade à dor, como estimulavam um sono profundo, pois com a
massagem os bebés relaxavam.
Para
lavar, e mais, branquear os dentes, as tribos africanas friccionavam bastonetes
de raízes, como por exemplo a mamola, que ainda hoje é utilizada. Para perfumar
o hálito mascavam tabaco, entre outras substâncias vegetais.
O
acto de lixar os pés para estes ficarem mais suaves, é também um hábito
africano. As mulheres costumavam esfregar os calcanhares com pedras do rio para
evitar que gretassem, uma vez que andavam quase sempre, ou mesmo sempre
descalças,
Os
Massai eram uma das muitas tribos africanas. Um casamento Massai durava
exactamente oito dias. A noiva ficava presa numa cabana feita de madeira e
esterco de animais, e durante este período tomava diversos banhos, recebia
massagens e fazia máscaras de argilas e de plantas. No oitavo dia a noiva saía da cabana para se juntar assim ao seu noivo, passando
apenas a partir daquele momento a morarem juntos.
Fazendo
a ponte à época actual, as máscaras de argila, são hoje em dia, usadas em
diversos tratamentos de rosto e de corpo, dado o seu potencial mineral e
purificador. Por esta mesma razão as mães africanas, quando grávidas comiam terra,
pois sabiam que esta faria bem ao feto e a elas próprias.
Entre
as pequenas sociedades não científicas, a magia e a feitiçaria constituíam
parte essencial da vida quotidiana. Nesse género de mundos, era normal
acreditar que infelicidades como a doença e os acidentes eram causados por
potências que tomavam forma de espíritos. Também era habitual que as pessoas
consultassem estes espíritos para conhecerem o motivo por que ocorreu um
determinado mal e o que devia ser feito para o remediar. Por vezes existia uma
pessoa - o Xamã - encarregada de o
fazer. Geralmente, era necessário efectuar uma oferenda ou um ritual. Também
era normal o uso de amuletos para proteger do mal. É muito provável que os
primeiros homens tenham praticado a magia para determinar as melhores alturas e
os melhores locais para caçar, a melhor maneira de curar doenças; mas subsistem
poucas provas.
Quanto
ao papel espiritual e médico, este cabia então aos chamados Xamãs. Para as suas
práticas de cura usavam o que a natureza lhes oferecia: plantas, argila água e
animais. Como forma de destaque em relação à sua importância social, os Xamãs
usavam máscaras exuberantes como podemos observar na foto seguinte.

Este
Xamã africano serve-se de uma cobra e de alguns ossos para predizer o futuro.

Este
Xamã está a executar a dança do demónio, uma cerimónia religiosa da costa
ocidental africana. Os trajes complicados, imitando animais, são
característicos destas cerimónias.

PARA
TER BOA SAÚDE. Esta pequena figura vermelha é feita de uma combinação de
madeira, osso, couro, tecido e cascas de noz. Era usada entre o povo Nte’va do
Congo Superior para “ vigiar o corpo”, ou seja, para proteger da doença.
Apesar
dos escassos recursos de pesquisa existentes da estética africana, podemos
mesmo assim concluir que a estética tem vindo a ser uma constante em todas as
sociedades, desde os tempos mais remotos ao futuro mais avançado.
As
tribos da antiguidade, neste caso específico, as tribos africanas usavam a
estética das mais diferentes formas e meios, sem qualquer base ou fundamento
científico, para as mais variadas situações.