Idade Média
O
próprio conceito de «Idade Média» é difícil de definir visto que compreende uma
dezena de séculos que ninguém parece conseguir situar, dado que se encontra
entre dois períodos bem definidos, a queda do Império Romano e o Renascimento.
O pensamento Grego que consistia no equilíbrio, na unidade entre o sujeito e o objecto, não só autorizava como solicitava uma estética, mas esta filosofia foi substituída pela ascensão do pensamento Cristão. Segundo o ideal Cristão era preciso «matar» tudo o que era sensível e sensual no Homem.
Os líderes religiosos
manifestavam a sua indignação contra o uso de adornos ou maquilhagem, que era
encarada
como uma força maléfica e sinal de impureza.
As mulheres foram completamente apagadas enquanto seres sensuais.
A higiene geral era praticamente nula nesta época, factor contributivo para o desenvolvimento das pestes (exemplo: Peste Bubónica).
Os primeiros cristãos iconoclastas não perduraram, e no século XIII houve um compromisso com o mundo, então as Damas insurgiram-se contra a Igreja e começaram a ter interesse pela sua imagem. Os enfeites começaram também a ter sucesso.
A Igreja acabou por perder a guerra contra a sua adversária «Cosmética».
Um
dos actos mais básicos da nossa higiene é o banho diário, mas nem sempre foi
assim...
Os banhos além de raros, eram por regra tomados com uma camisa geralmente branca e fina a cobrir o corpo. Estes na maior parte das vezes eram tomados nas estufas ou banhos públicos, locais que eram procurados para obtenção de prazer e libertinagem, e não por uma questão de higiene, dado que na altura acreditava-se que a água fragilizava a pele permitindo a entrada de pestilências, mas por outro lado já nessa altura existiam banhos terapêuticos, cujas virtudes eram detalhadas num letreiro colocado em cada banho; aí também afluíam doentes, deficientes e estropiados. Cada banho tinha uma fonte de água fervente e uma de água fria, e cada sala era fechada e isolada das restantes, em divisões anexas era permitido repousar após os tratamentos, e até fazer uma massagem. No final da idade Média, homens e mulheres lavam-se com mais frequência que os seus descendentes (Renascimento).
No século XIV dava-se grande
ênfase à lavagem das mãos antes e depois das refeições, à lavagem diária da
cara e boca. Os dinamarqueses, por exemplo eram criticados por tomarem banho
todos os Sábados, mudarem de roupa com frequência e pentearem os cabelos todos
os
dias.
A lavagem da roupa era feita de tempos a tempos em barrela, eram perfumadas com uma grande quantidade de flores de violeta e humedecidas com água fresca na qual se tinha macerado raiz de íris finamente triturada.
Cuidados com o cabelo:
Cuidados com a boca:
Cuidados com as mãos:
Depilatórios:
Os tratados de medicina da altura explicam que o pêlo é a condensação de vapores grosseiros e que o excesso da humidade feminina que não se escoa naturalmente transforma-se em musgo, que é preciso suprimir.
Assim a depilação era feita através de:
Cuidados com o rosto:
Eram
ainda utilizados produtos como excrementos de pássaro, cobras trituradas, e
sangue de animais para a realização de cosméticos. Sumo de uva concentrado; óleo
de oliva, amêndoa e girassol; creme de amêndoa silvestre (bálsamo que irrita a
pele).

«Uma Dama adquire uma má reputação se não se mantiver limpa – uma postura cuidada e agradável vale mais do que uma beleza negligenciada». Robert de Blois
É de notar que a presença dos Árabes impulsionou o mundo da cosmética, através das suas técnicas, matérias-primas, cultura e sabedoria.
Tratamento para luxação de ombro
Foram estes os pais da ciência
conhecida como alquimia, os inventores do alambique, e devido à sua relação com
a estética corporal, parte dos seus hábitos passaram a ser os dos Europeus.