Pré-História

A
Pré-História divide-se em dois períodos: o Paleolítico ou a “Idade da Pedra
Antiga” (que compreende o Paleolítico Inferior, o Paleolítico Médio e o
Paleolítico Superior) e o Neolítico ou a “Idade da Pedra Nova”.
O Paleolítico inferior existiu há 2,5 milhões de anos. Foi
neste período que surgiu o fabrico
dos primeiros utensílios a partir de seixos que,
gradualmente, foram adquirindo maior complexidade. Os Bifaces,
característicos deste época, eram utensílios talhados em duas faces por forma a que uma das extremidades terminasse em ponta e
foram trazidos para a Europa pelo primeiro povoamento humano – o Homo Erectus.
Foi
no período do Paleolítico Médio que surgiu o Homo Sapiens ou o Homem de
Neandertal, isto é, “o homem que sabe”, assim designado devido ao avanço
intelectual que demonstrava.
Nesta
época, surgiu o fabrico de utensílios em sílex,
feitos sobre lascas, segundo uma nova técnica que consistia
na extracção de grandes lascas de forma e tamanho pré-determinados, mediante a
exploração cuidadosa dos blocos de matéria-prima. Esta técnica foi desenvolvida
pelo Homo Sapiens dando origem ao “método Levallois”.
O
Homo Sapiens ou o Homem de Neandertal deu origem ao Homo Sapiens Sapiens, cujo melhor exemplo foi o Homem de Cro-Magnon. Esta sua última fase correspondeu a um grande
desenvolvimento no progresso da humanidade, começando assim o Paleolítico
Superior.
Foi neste período que o homem atingiu um grande
desenvolvimento da linguagem e da sua capacidade de expressão abstracta
conduzindo-nos aos primórdios da História da Arte, emergindo então os primeiros
vestígios de actividade artística.
A
evolução artística no Paleolítico Superior dividiu-se em vários períodos: o Aurinhacense e nele surgiu a técnica das mãos pintadas em
negativo (arte parietal), onde se utilizou um pó colorido a partir de rochas
trituradas, misturado com um elemento fixador, provavelmente a gordura animal,
que é soprado por um canudo sobre a mão pousada na parede da caverna,
obtendo-se assim o contorno da mão no meio da mancha colorida; surgiram
gravações e incisões nas paredes (arte parietal); silhuetas, animais vistos de
perfil e utilizavam a pintura mono-cromática.
A principal
característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada foi o naturalismo. O
artista pintava
os seres, um animal, por
exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a
natureza tal qual a sua vista captava. Surgiram os
primeiros trabalhos em escultura que foram as
estatuetas femininas como por exemplo a Vénus de Laussel
e a Vénus de Willendorf. Estas vénus apresentavam uma
deformação adiposa conhecida por “esteatopigia”, ou
seja, as partes do corpo relacionadas com a fecundidade estão exageradamente
desenvolvidas. Estas vénus
paleolíticas acentuavam os sinais de gravidez, em que o artesão pretendia
assegurar não só a fertilidade da sua companheira como também demonstrava uma
preocupação com a continuidade da espécie. Estas pequenas esculturas não
exaltavam apenas a mulher mas constituíam uma homenagem à maternidade,
testemunhando um aspecto cultural que era comum a toda a Europa: o culto da
fecundidade feminina.
Depois surgiu o período Gravetense
e, posteriormente, o período Solutrense e, neste
último, apareceu uma maior perfeição das silhuetas animais; a ideia de
movimento assim como um maior dinamismo nas representações e surgiram também os
baixos-relevos de animais. A fase final do Paleolítico Superior, ou seja, o
período Madalenense representa o apogeu da arte
rupestre. As representações animalistas apresentam um
grande realismo, geralmente de perfil; surge a pintura policromática.
Nas pinturas das gravuras rupestres eram
utilizados óxidos naturais, presumivelmente abundantes junto à superfície
do solo naquele tempo, como os ocres e vermelhos. Na
produção de pigmentos para pintar, as tintas provinham de minerais moídos e
misturados com água. O pigmento vermelho resultava do óxido de ferro e o preto
do dióxido de manganês ou carvão. Por vezes
aqueciam os minerais a fim de produzir
novas tonalidades. Para além dos óxidos minerais e do carvão eram também
utilizados ossos carbonizados, vegetais e sangue dos animais. Os elementos
sólidos eram triturados e dissolvidos em gordura animal, ou seja, era utilizada
uma técnica rústica de têmpera a óleo. Como pincel utilizavam os dedos e
pequenas varetas com penas e pêlos.
Surgiram
ainda novos utensílios e novas técnicas com o fabrico de pontas de projéctil em
osso e de lâminas em lascas alongadas; apareceram os primeiros objectos
gravados de adorno pessoal (dentes de animais e conchas usados como pendentes),
e gravações em osso e chifre.
As pequenas peças de
escultura também estiveram presentes, como por exemplo a Vénus de Lespugue. Houve uma evolução de uma tendência
naturalista em Willendorf para uma estilização que se
aproxima da geometrização abstracta em Lespugue. Tanto na pintura como
na escultura notou-se a ausência de
figuras masculinas.
Contudo, é curioso
observar que, durante este período, enquanto a sociedade humana vivia nas
cavernas, em que a sua prioridade era, sem dúvida nenhuma, a sobrevivência, o
poder do enfeite no rosto, ao mesmo tempo que se pintavam cenas diárias nas
paredes com ocre, tinha uma enorme carga emocional, uma vez que através dessa
pintura se dava a transformação do ser. O homem desta época demonstrou
dedicar-se à contemplação da beleza e da estética e, como prova evidente temos
as pinturas rupestres e as esculturas, assim como iniciou o uso de pinturas e
de enfeites corporais, podendo-se afirmar tratar-se da primeira manifestação do
gosto pela maquilhagem, pela estética e pela beleza.
E o Paleolítico deu
lugar ao Neolítico.
No período do Neolítico as profundas alterações da sociedade implicaram
consequentemente uma evolução nos costumes e na arte.
A arte tende a fixar a
ideia – em vez de reproduzir o objecto, indica-o ou sugere-o. Abandonando o
Naturalismo, o homem adopta uma intenção artística geométrica e estilizada, ou
seja, a forma de representação neste período foi estilizada e geometrizante. A abstração e a
racionalização substituem o poder de observação.
As técnicas de desenho e
pintura mudaram, passou a haver uma maior preocupação com a distribuição dos
elementos no painel, a sensação de movimento, e a perspectiva. Além de desenhos
e pinturas, o artista do Neolítico evidenciou uma preocupação estética na
criação de objectos produzidos em cerâmica que revelaram a sua preocupação com
a beleza e não apenas com a utilidade do objecto.
A arte popularizou-se, o que significa que os cuidados de beleza da época também se difundiram.
Uma das maiores
revoluções na história da humanidade foi a introdução do metal nas diversas
actividades produtivas e a evolução das respectivas tecnologias de manufactura.
No período do Calcolítico, cerca de 3500 anos antes
de Cristo, o homem aprende a utilizar os metais. É este facto que encerra a
Pré-História e dá início ao que hoje designamos por Proto-História, ou seja, a
Idade dos Metais foi a época de transição entre a Pré-História e a História.
A Idade dos Metais compreende três períodos que são: a Idade do Cobre, a Idade do Bronze e a Idade do Ferro. É nesta época que o homem aprendeu a recolher o ouro, a prata e o cobre em estado bruto, descobriu a liga de estanho que permitiu dar ao cobre uma maior resistência no fabrico dos objectos. Posteriormente, surgiram os objectos feitos em bronze que eram produzidos a partir de uma liga de cobre e estanho. A produção do bronze generalizou-se na Europa, pois era mais resistente que o cobre, tornando-se o principal metal a ser usado no fabrico de uma grande diversidade de objectos tais como as espadas, escudos, capacetes, taças, máscaras, etc. A prata, o ouro e o cobre eram utilizados no fabrico de adornos pessoais, surgindo diversos objectos de ourivesaria e bijutaria como brincos, braceletes, pulseiras, anéis, fíbulas, gorjais (colares), lúnulas, etc. que eram usados pela mulher de época.